Vamos falar de coisa séria?

Ontem peguei o ônibus para vir trabalhar e entrou uma senhora na Rua Rio Grande.

Achei que o motorista estava correndo demais para quem já ia virar a rua. E a senhora ainda estava em pé, procurando o dinheiro.

Adivinha se ela não tomou o maior tombo da história do SP Trans? Caiu, bateu a cabeça e parou na escada da frente. O que tinha na bolsa foi espalhado para o ônibus inteiro, e ela desacordada.

Passados uns minutos, ela voltou. Todo mundo xingando o motorista. E ele: “Não fui eu, é a rua que tem buraco e o ônibus balança.”

Sei. Vou balançar a mãe dele para ver se é bom.

 

***Denuncie! Pegue a placa e número do ônibus, só assim eles vão parar de achar que estão levando um monte de porcos para o chiqueiro.



Escrito por Rúbia às 16h26
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Tá de trás para frente, moça.

Entro no ônibus na quinta e uma moça me encara. Olho para ela já com cara de raiva, odeio quando elas ficam me medindo.
Mas caiu minha cara no chão, ela puxou assunto, toda simpática:
_Moça, posso te falar uma coisa?
_Pode, claro.
_Sabe, eu tenho uma blusa igual a sua. Só que é amarela (a raiva, que virou piedade, nesse momento se transformou em inveja, pois não posso usar amarelo, fico parecendo um ovo choco).
_E...
_E ela tá ao contrário. Tá de trás para frente. Olha, vê a etiqueta aí em cima.
_Ah, eu sei (nesse momento minha inveja pulou para a casa da simpatia)! É que eu gosto de usar assim.
(silêncio)
E continuo:
_É que fica mais charmoso nas costas, fica de fora.
(silêncio)
Como ela estava muda de tanta perplexidade, arrisquei mais uma frase:
_Olha, já que a sua é amarela, você poderia tentar usar uma preta de manga comprida por baixo, e assim mesmo, de trás para frente. Fica bem legal.
_É.
E virou a cara para a janela, como se eu fosse uma estilista louca.


Escrito por Rúbia às 18h52
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Nobréque? O que é isso?

Dois caras com uniforme da Plug Use (uma loja de acessórios de informática) conversam no ônibus:

_Nossa, hoje o dia foi dureza (comentário pessoal: que engraçado, as pessoas que não trabalham em agências, surpreendentemente, não falam foda).
_É, mano, nem me fala. Minha mãe perguntou se eu tava gostando do trampo e eu disse que até tava, mas que trabalho numa loja que vende um monte de porcaria que nem tem serventia.
_Você também acha isso? Nossa, achei que só eu era burro. O que é nobréque, por exemplo?
_Sei lá, mano.
_Ah, todo dia é gente querendo nobréque. Tem muita gente que quer.
_É aquela caixinha de plástico, não é? Com luzinha?
_Ah, só olhando para saber. Torço para que as pessoas só peguem e levem no caixa. Passo a maior vergonha.
_Ah, eu acho que deve ser alguma coisa para brecar o computador.
_Ã?
_É, tipo, quando ele não quer desligar de jeito nenhum? Aí você breca ele. Quase igual carro, mas é com computador.
_A, ta. Pode ser.

Agora, um recado para os donos da franquia Plug Use: por favor, instruam seus funcionários. Tá bem, eles só querem receber o mínguo salário no fim do mês. Mas você lucraria muito mais se seus funcionários pudessem dar opiniões e dicas para seus clientes, e não usar uma CPU como vaso de plantas.


Escrito por Rúbia às 11h47
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Anúncio: Benzedeira pro Bat Ka

Procura-se benzedeira porreta com larga experiência no ramo automobilístico.
Alguém que impeça o Kazinho:
-de capotar de novo
-de bater pela milionésima vez, dentro da garagem, inclusive
-de ser roubado e ferrar com toda a parte elétrica novamente
-de ser chamariz de ladrão de celular com 1 semana de uso again
-de enguiçar na estrada com cachorro latindo e tudo mais uma vez
-de ser chamariz de piranha (essa é de lambuja, em caso de emergência)

Escrito por Rúbia às 16h52
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Má Educação

Não, não vou falar sobre o filme do Almodovar. Quem dera. É que eu não me conformo. Como há gente mal educada e sem noção nesse mundo.
Queria ter mais fé na humanidade, mas se ela falha em coisas tão básicas e ao mesmo tempo tão importantes, fica difícil.
A semana passada foi marcada por pequenas indelicadezas. Começam pequenas na segunda, mas ficam gigantes no domingo.
Na segunda, entrei no ônibus e vi um único banco vago. Mas não consegui sentar. O cidadão ao lado estava com as pernas arregaçadas, tomavam todo o lado dele e do banco ao lado também. Pedi, por gentileza, para ele me dar licença e o cara, de má vontade, puxou as pernas 3 milímetros e meio. Fui esmagada até as Estados Unidos. Mas tudo bem, ainda é segunda.
Na terça, eu e mais uma galeria de trabalhadores estamos em pé no busão. Chega uma senhora idosa e tenta se segurar no cano. Mais parecia que a velhinha estava tentando fazer a pole dance. Tadinha. Ia de um lado para o outro, segurando no pau. Pergunta: Alguém se dignou a levantar a bunda da cadeira e dar o assento para a vozinha? Ninguém. Nin-guém. É um bando de vagabundos ou têm artrite e artrose precoces.
Na quarta, voltei de carona. Os únicos desaforos foram levados pelas buzinas. Meu colega caronista só ouviu insultos pela metade: “Vai tomar no...... (biiiiiiiiiiii – sons de buzina e carros passando) “e o vento levou a última palavra, ainda bem.
Na quinta, os ânimos começam a esquentar. Está chegando o fim de semana, amanhã é sexta! Uma senhorinha apressada atravessa a frente da menina que estava na minha frente na fila do metrô Consolação. Imagina a cena. A menina falando um monte para a senhora (que mais parecia uma paquita da terceira idade) e a senhora mostrando o dedo do meio para ela. Uma em cada escada rolante. Chagando lá embaixo, na intersecção das escadas, saiu pancadaria. Um monte de marmanjo foi separar a velha agarrada com suas garras afiadas e vermelhas com florzinha na menina.
Na sexta, aleluia! Um dia de paz. Tirando o velho empurra-empurra costumeiro na entrada do metrô, nada de palavrões ou tapas. Só uma encoxada na saída, mas é a vida.
No sábado, fui para a casa dos meus pais. Tomei a maior chuva com duas malas gigantes, presente de dia dos pais e revistas Veja para o consultório. É claaaaaro que derrubei a sacola de revistas. Era Veja molhada para todo lado. Aquela verdadeira paçoca de papel ia se desfazendo conforme tentava recuperá-las. Um bando de homens vendo e ninguém para dar uma mãozinha. Mas tudo bem, nada vai estragar meu fim-de-semana-família.
No domingo, voltando do interior, peguei um táxi na saída do metrô, porque roubaram o carro do meu namorado. Dei boa noite e o taxista nem respondeu. Eu indiquei o destino e ele já foi logo mandando: “Você tem trocado, né?” E antes mesmo que eu respondesse: “ Não, porque acabei de pegar um passageiro que foi aqui ao lado mesmo, na sua rua (olha a indireta direta) e me deu 50 reais para trocar. Eu disse que não tinha e ele disse que era minha obrigação ter troco. Eu disse que se quisesse nem estaria trabalhando, não preciso disso.”
Ah, não? Trabalha por hobby, o colega.
E foi falando um bando de barbaridades pelo caminho. Dei um boa noite de má vontade e ele nem respondeu de novo. Mal amado.
É, quem pode, pode. Eu, ao contrário do nosso amigo taxista que trabalha por puro passatempo, tenho que pegar metrô e ônibus e agüentar essas grosserias a caminho do trabalho e de outras aventuras pela cidade.


Escrito por Rúbia às 16h51
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Chove chuva

Parabéns ao estilista que descobriu que as galochas são o melhor calçado para essa cidade inundada de água e de gente fútil que gasta dinheiro com essa coisa horrorosa. E parabéns também ao coolhunter que divulgou essas coisas borrachudas e coloridas às paquitas da Oscar Freire.
Tentei fazer uma entrevista com eles, mas estavam ocupados cagando dinheiro (como faz falta meu dicionário de sinônimos, não consigo me livrar dos nomes pudicos).
Bom, se você quer aderir a essa moda ridícula, aí vão algumas dicas:
-certifique-se primeiramente que seu namorado/namorada/ marido/ adjunto não vai se importar em sair com uma galocha ao lado. Sim, porque quem vai aparecer é a galocha, não você. Ainda mais se for aquela azul e vermelha do Hercovich.
-se você não tem 690 reais para comprar uma da Glória Coelho, vá até a Cargil ou Cobasi mais próxima, compre uma galocha de jardineiro e mande aquele seu amigo diretor de arte/ pintor dar um jeito nela. Acredite, vai dar na mesma.
-Se você está no seu juízo normal e sonhou que vestia uma galocha – o que não acredito – compre-a, mas pelo menos tenha a decência de usá-la somente nos dias chuvosos. É um disfarce se alguém te olhar torto (eu, por exemplo). Você pode lançar: “Ah, eu nem gosto, mas com essa chuva, né?”. Essa é a desculpa preferida das modistas que não querem admitir que usam coisas horrorosas só porque estão na moda. É a típica usuária de Crocs. “Ah, é confortável, você já experimentou? Não ia querer tirar do pé.” Ah, me poupe! Que mulher veste algo porque é confortável??? Mulher que se preze gosta de ficar linda, não de sentir conforto e ficar parecendo aquelas velhinhas que não podem usar salto porque tem os pés forrados de joanetes.
-Se depois de tudo o que falei, ainda insiste em usar esses troços, veja se a galocha está combinando com o resto da roupa. Tarefa dificílima, afinal, mesmo de roupa inteira preta, fica difícil combinar. Geralmente elas têm ao menos 4 cores: amarelo, preto, branco e bege. É a menos indiscreta, a xadrezinha estilo Burbery.
Se você AINDA quer uma galocha, vou te fazer um favor. Passe seu nome completo para mim que farei uma oração para Deus salvar sua alma, porque o corpinho já foi tomado pela perda de noção.


Escrito por Rúbia às 18h23
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Tentativa de embelezamento

Dia desses olhei no espelho e fiquei deprimida. Apareceu uma coisa no meu traseiro que não estava lá: a famosa celulite. Tá bom, é só um tiquinho, graças a Deus, mas para quem nunca teve nada, é assustador.
A Cris, uma amiga aqui do trabalho, me indicou uma fisioterapeuta que fazia drenagem linfática. Queria fazer só uma sessão para ver se desentupia as veias. Enfim.
Lá fui eu na drenagem, após o trabalho. Ia ser às 7 e meia, aqui perto, na Capote Valente. Quando cheguei lá, vi que estava fechado e tudo escuro. E nem tinha placa. Achei que estava no lugar errado.
Perguntei para um senhor que estava fazendo uma obra ao lado se ele sabia se lá era um consultório. Ele disse que sim, e que apesar de estar fechado, não significava que a Dra. Carol não voltaria, que ela fazia isso às vezes quando tinha horário vago. Aparentemente, Ceará (o nome do cidadão) era amigo da fisioterapeuta.
Então fiquei esperando. Quando já eram quase 8 horas, resolvi ligar para o celular dela para ver o que tinha acontecido, se ela já estava chegando. Para variar, meu celular estava sem bateria.
Pensei em esperar só mais 15 minutos e iria embora. Então, num repente de carência, resolvi atravessar a rua e conversar com o cidadão parado na porta de casa. Queria confirmar a história do Ceará.
Mal cheguei já senti o bafo de cachaça: o-ou... encrenca a vista. Ele desatou a falar tudo enrolado, não entendia nada, só entendi que, segundo ele, “o lorinho da Globo, aquele do programa da tarde, mora aqui ao lado” e também que é “amigo pessoal da lorinha do ilarilariê”. Ele era tão amigo que não lembrava o nome deles. Talvez porque pelo grau de intimidade, já se tratassem por “querido”. Saía uma porção de gente da casa dele olhando desconfiado para a gente, teve um que me cumprimentou com beijinho. Fiquei amiga do bêbado. Pelo que deu para notar, ele aluga a casa dele para um monte de gente. Era homem, mulher, traveco, criança, velho, cafetão, cachorro.
O papo se alongou tanto que até descobri (e vendi essa info para a Caras) que o tal lorinho global anda pelado pela casa e a patroa dele ficava olhando. Ele até botou ela para fora de casa por causa disso.
Enfim, chegou uma hora que olhei no relógio e já eram mais de 9 da noite. Inventei uma desculpa e fui embora.
Score da noite:
2 horas de atraso num aniversário
3 bolhas no pé
1 bêbado entrosado
2 furinhos na bunda intocáveis.


Escrito por Rúbia às 14h51
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Anjos anônimos de São Paulo

Um amigo que trabalha comigo, o Cabelo, perdeu a carteira sexta-feira. Ligou para cancelar cartão, seguro, etc. porque, claro, já era, né? Morar em São Paulo é ser roubado a qualquer momento do dia.
Segunda de manhã ele recebeu uma ligação da Livraria da Vila, dizendo que um senhor tinha ligado lá falando que tinha achado a carteira dele. Quer dizer, o senhor achou o cartão da livraria na carteira, ligou imaginando que meu amigo pudesse ter um cadastro lá e pediu o telefone. Ainda existem pessoas bacanas, olha só.
Seu Benedito, o iluminado, liga logo após a livraria ter falado com o Cabelo, e marca um encontro para devolver a carteira. Na quarta, lá vai o Cabelo conhecer a tal boa alma esforçada.
Hoje meu amigo chega satisfeito, com a carteira no bolso e sorridente. Disse que foi muito bom ter conhecido Seu Benedito.
Seu Benedito é um senhor que pede dinheiro no farol, mora num “hotel”, segundo ele (um abrigo no Largo da Batata) e cata latinhas no lixo. Numa dessas catanças, achou a carteira do Cabelo. Apesar do pouco dinheiro, Seu Benedito tem um celular, e liga para as pessoas que perdem as coisas na rua. Marca um encontro e devolve. É celular, carteira, agenda...
Meu amigo o convidou para tomar um café, mas Seu Benedito disse que eram “7 horas, horário de pico, não dá para perder o serviço”.
Uma pena, porque o Cabelo disse que o pouco que conversou com ele já foi interessante, imagina mais.
Existem figuras espalhadas por aí que nem notamos na nossa correria. Estamos perdendo coisa muito boa, que tal prestar mais atenção? Para começar, dá uma olhada no blog De Casa para o Trabalho (desculpem, não está linkando, é: http://decasaparaotrabalho.wordpress.com/)e descubra mais pessoas comuns que fazem a diferença nessa cidade.

Escrito por Rúbia às 11h34
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Dia da pizza

Hoje entrei no UOL e descobri que é dia da pizza, ô beleza.
Para mim não é motivo para comer a redonda, pois já como todos os dias, praticamente.
Então minha maneira de homenagear meu prato preferido é fazer um top 10 sobre coisas que sempre acabam em pizza:

1. Meus feriados. Por mais que eu invente mil programas para o feriado acabo sempre fazendo faxina. E depois, claro, vou à manicure consertar o estrago.
2. Feriado de qualquer cristão ou criatura que trabalha em agência de publicidade. Nunca dá para programar nada.
3. Os namoros da sua amiga grudenta. Ela se imagina casada e com 5 filhos com o cara que ela tá. Detalhe: ela conheceu o infeliz ontem, na fila do supermercado.
4. Os namoros da Debora Secco. Sem comentários.
5. O regime da segunda-feira. Você até se programou, foi ao mercado, comprou só coisa light e deu o saco de Sonho de Valsa para o porteiro. Mas na hora do almoço, todo mundo pediu milkshake de Ovomaltine e você suco de abóbora. Seu amigo oferece um gole, e você, claro, toma o gole. Aí, fodeu. Você já esculacha porque diz: a, agora já foi, vou tomar um inteiro, já ferrei tudo mesmo. Deixa para segunda que vem.
6. Meu pai tentando parar de fumar. Ele acha que mudando de 3 maços de Minister para 3 maços de Holliwood já é um grande passo. Ok.
7. Os horários dos programas do SBT. O patrão roda todo mundo lá dentro, ferra a nossa vida (já tentou assistir novela do Silvio, impossível, hoje é às 5 da tarde, amanhã vai ser as 11 e 45 da noite – por favor, não discutam meu gosto por novelas mexicanas, é constrangedor) e não resolve nada. Só nos resta a Hebe reclamando.
8. Os testes de fidelidade da Luciana Gimenez. A véia sacana da detetive atiça a corna que tá no programa, dá risada na cara dela e depois o cara tá saindo com a melhor amiga dela. Ou com a mãe dela. Ou com o vô dela.
9. Os penteados da Erikah Badu e Amy Winehouse.
10. O Maluf, a Simony, o Rafael do Polegar, a Gretchen, a namorada da filha da Gretchen, o Alexandre Frota .... E mais uma porção de gente que ou não consegue parar de ser quem é ou vira crente.

Tem muita coisa que acaba em pizza. Essas são as que mais me incomodam e que gostaria muito de mudar, mas muitas delas não estão ao meu alcance. Se você se lembrar de algo mais, manda no comentário!


Escrito por Rúbia às 16h38
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Teste de MSN

Sabe aqueles Nicks idotas e denunciadores do MSN? Assim: Roberta – curtindo toooooodas (essa acabou de levar um fora do namorado e quer mostrar para o cidadão que tá pegando todo mundo, superou – detalhe: ela escreveu isso numa noite de sábado se empanturrando de Nutella e assistindo Altas Horas com lágrimas nos olhos).
Hoje fiz um teste usando isso e confirmei como as pessoas são infelizes. Só queria ver se ia chamar a atenção e se alguém ia falar algo. Escrevi assim: “Sproesser - A pessoa mais feliz do mundo”. Não que eu não me considere muito feliz, mas péra lá também, né?
A primeira amiga já lança de manhã: “Ué, por que você é a pessoa mais feliz do mundo?” Eu disse que tinha motivos de sobra para agradecer a vida. E ela: “Só isso? Não aconteceu nada?” Eu disse que não, que minha vida já era um acontecimento. Nunca vi uma pessoa tão nervosa. Me mandou tomar no cu (desculpe o palavrão, mas foi assim mesmo)e me perguntou se eu não tinha dó das pessoas mais desafortunadas como ela. Eu não. Quem manda não brilhar? Brilha, Fulana*, brilha!
A segunda (ao mesmo tempo que a primeira) manda: “Oi, Ru! Tinha que ser você mesmo! A pessoa mais otimista até nas situações mais tristes!” O que ela quis dizer com isso? Que tô na lama? Nem respondi, fechei a janela.
A terceira, uns 5 minutos depois do MSN aberto, lança: “Que frase idiota, não tinha o que escrever, não escrevesse nada!” Amarguraaaaada.
A quarta pergunta quando foi. Eu disse: “Quando foi o que?” E ele: “Quando foi que seu namorado pediu você em casamento?” A, pronto. O infeliz tem certeza de que as mulheres só são felizes quando tem um macho pendurado no pescoço dentro de casa fazendo você lavar, passar e ainda ficar gostosa. Agora foi minha vez de mandar alguém tomar no cu (desculpe, foi a última vez que escrevo cu aqui).
E graças a Deus, ainda há uma esperança, a última: “Que bom, Ru, tem que agradecer mesmo! Um beijo!”
Suspirei de alívio depois dessa, alguém ainda acredita no simples ato de viver.

*por motivos óbvios, resolvi esconder o nome.


Escrito por Rúbia às 18h21
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Encontro quase presidencial

Semana passada aconteceu uma coisa muito legal no ônibus e ao mesmo tempo chata.
Poderia ter tido uma das conversas de ônibus mais interessantes até então, fora a riqueza de detalhes que garanto, muito pouca gente sabe.
Conheci um senhor canadense que mora lá e cá. Estava indo para o Consulado e puxou assunto comigo, claro. Tenho um imã para conversadores de plantão. A maioria é gente idosa ou gente carente, simplesmente querendo um pouco de atenção e afeto. O que quase sempre dá no mesmo.
Voltando: ele me disse que foi uma espécie de mentor do “Luizinho”. Sabe quem é esse? Nosso presidente. O senhor chamado Toni (Toni aqui, Tony lá, segundo ele mesmo) começou a falar tudo sobre a época em que Luizinho era torneiro mecânico até hoje. Até peguei simpatia pelo Lula depois da história do Toni. Mas a parte triste é que ele falava tão baixinho e com um sotaque tão carregado que metade da história ficou no ronco do motor do ônibus… ☹
Espero encontrá-lo mais vezes, o que pode ser quase impossível, mas vou ficar na torcida. E desta vez, espero que seja no ponto de ônibus para ouvir melhor.


Escrito por Rúbia às 16h49
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Paixão Brasileira

Ontem estava vendo um programa com meu pai sobre futebol e me lembrei de uma discussão que tive com meu namorado domingo passado, após a vitória do Palmeiras (para alegria do meu pai e do meu namorado, e para a minha indiferença).
O motivo da discussão foi esse mesmo: o porquê das pessoas torcerem para determinados times.
Assistimos o jogo na casa da mãe dele e logo após, quando estávamos indo ao supermercado, notei aquele fuzuê por causa da vitória do verdão. Parecia que estava no interior, todo mundo buzinando, gritando, com bandeiras e cornetas.
Aí, lancei: “Por quê iso?”. E ele: “Isso o quê?”. Bem, nem preciso dizer como foi o resto da história, né? Mas mesmo assim, vou resumir meus pensamentos (que o Fabio não entendeu patavina e disse que eu queria racionalizar uma paixão).
Eu até entendo quando as pessoas torcem no futebol quando é Copa do Mundo, por exemplo, porque estão torcendo pelo nosso país, tem um fundamento. Agora, torcer por um time? O que ele tem de diferente dos outros? Todos buscam a mesma coisa: ganhar uma taça. Não estão torcendo por diferentes objetivos, como defender a Natureza ou mesmo defender os ratos albinos da Dinamarca. Fora que os jogadores são uns vira-casacas, cada hora estão num time… não acho sentido algum, me desculpem os fanáticos.
Acho ridículo aqueles caras que quase se matam por causa de time. O que eles ganham do time por isso? Patético.
No fundo sei que isso é puramente cultural, é aquela necessidade do ser humano ser um carente obssessivo e querer se encaixar num grupo desesperadamente.
Enfim, não consegui colocar nada na cabeça do meu namorado, o que já sabia que ia acontecer, ele é mais cabeça dura que eu. Mas tenho certeza que no meu pai deixei uma pulguinha atrás da orelha, o suficiente para render boas coçadas a respeito.

Escrito por Rúbia às 09h37
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Rabugice pega

9 da manhã. Entro no ônibus e logo vejo uma poltrona vazia – um milagre. Bem, nem tanto, já que o banco vago estava na parte da frente, reservado para grávidas e idosos. Mas pensei: se vier algum vovô, me levanto. Eu é que não vou ficar em pé para no próximo ponto chegar um moleque e pegar o lugar.
Passados 2 pontos dos milhares por vir, chega uma vovó. Na mesma hora, a outra vovó que estava do meu lado se levantou para descer, então nem me movi. Continuei a ler meu livro, Fun Home, e a ouvir música. E aquele calor infernal.
Então, a vovó me cutuca e diz: “Por favor, pode fechar a janela para mim? É que estou com muito frio”. Detalhe: a janela é lá no alto, não tava fazendo muita diferença. Mas enfim, fechei, né?
Recomeço a minha leitura e a vovó me chama de novo: “Sabe o que é? Eu acho que tô doente. Pega na minha testa, nega, pega”. Ai, meu Deus, eu tava de jaleco, por acaso? Acabei pegando, né, fiquei até com dó. E disse a ela que tava tudo bem, que ela não estava com febre. Mas aí ela já emendou um papo. O papo de ônibus mais longo da minha vida, que durou do Detran até a Joaquim Floriano. Normalmente o máximo é de um ponto a outro, tipo assim: “Oi, me desculpa, que horas são?”
Continuando. A vovó começa a falar do tombo que tomou na semana passada. “Sabe, eu só caio. Olha meu olho, não tá inchado? Pois é, caí na casa da minha amiga, lá em Alphaville, sabe onde é? (sim, conheço, senhora, em que mundo acha que vivo?). Escorreguei no tapete. Fui parar no pé do piano. Sorte (??) que parei que nem uma foca (????). Sabe, assim, de cabeça para cima? Senão tinha quebrado o nariz. Aí foi tum e pá. Mês retrasado caí feito um abacate maduro. Foi só tum mesmo. Assim (pausa para demonstração ridícula do tombo).
Eu, a essas alturas, já tinha enrolado o fio do ipod nele e devolvido na bolsa. O livro repousava na minha perna, louco pra que fosse brincar com ele de novo.
Nisso, um carro enguiça na frente do busão. E a véia (sim, já me sinto íntima dela): “Ah, não, ninguém merece (num ímpeto de vocabulário adolescente)! Alguém tira essa josta da frente! Ô motorista, vai ajudar lá, vai! Estou com muita pressa. Marquei de almoçar na minha amiga e não quero me atrasar!” - detalhe: não eram nem 9 e meia. Acho que ela ia acampar na amiga, isso sim, ela carregava uma sacola cheia de roupa e abacates (provavelmente do pé que ela caiu).
Por causa do cheiro de queimado do pneu do cara do carro enguiçado, a senhora começa a tapar o nariz e dizer que estava enjoada com o cheiro e também disse que achava que era do ônibus, porque o motorista diriga muito mal.
Nisso, já estou constrangida e irritada o suficiente para continuar dando uma de boa ouvinte de velhinhas e meto a mão no livro e recomeço a ler. Ela me cutuca de novo: “Que livro é esse?” Eu disse a verdade: “É a auto-biografia em quadrinhos de uma lésbica cujo pai saía com seus alunos do colégio”. Yes! Achei que agora ela ia parar de me aborrecer, com essa resposta de menina má. Na certa ela pensou, pela sua cara azeda: “credo, que criação os pais dessa menina deram a ela?”
Ledo engano. Passados alguns segundos, ela puxa assunto de novo: “Meu tio (nossa, tá vivo o ser?) tem câncer de próstata. E ele mora comigo e com meu primo (ixi, solteirona, já vi tudo). Só que tenho que ir dormir na casa das minhas amigas porque ele grita de dor a noite toda e não consigo dormir.” Nessa hora fiquei indignada, a véia falou sem um pingo de dó. Eu perguntei o que esse senhor está fazendo fora de um hospital então. Ela disse que o primo dela quer a herança logo, quer que o velho morra. Que pecado! Queria socar a velha, ela não faz nada a respeito? Ela disse que não adiantava falar com o primo porque senão ele bateria nela também. Também? Como assim também? Ela desconversou. Na verdade, conversou mais, né? Só que mudou de assunto, acho que ela percebeu que tava quase esganando ela de tanta raiva. Aí ela: “Meu olho tá abrindo?” Putaquepariiiiiiiiiuuuu!!! Tava abrindo igual, os dois, affff. Disse que ela era hipocondríaca. Talvez pelo remorso de deixar seu tio berrando sozinho `a noite e ela na farra com as amigas de AlphaVille. Ah, já não tinha papas na lingual a essa altura do campeonato.
Passados alguns raros segundos de silêncio, passa um cidadão com um Kadete branco (como diria Antonio Prata, ninguém pode levar a sério um sujeito com um Kadete branco). Com o som no último volume, claro. A música? Não sei o nome, mas era um pagode assim: “…a porta aberta pro cio…brincar de amoroooorrrr….” Que é isso? Se não quisesse demonstrar equilíbrio perto da velha doida, já teria pulado da janela. Mas, claro, não foi preciso. Minha colega de banco fez o favor de ir berrar com ele na janela do outro lado do ônibus. Ela gritava: “Que imoral! Que desaforo! Precisa ouvir essa indecência nesse volume?”. Desta vez nem me incomodei, porque minha vontade era a mesma. Só que a velhinha foi mais corajosa. Enfim, ele acabou trocando, colocou Racionais. Não falo mais nada.
Fomos ouvindo rap até o começo da Floriano, onde ela ia descer para tomar outro ônibus até seu destino final. Fiquei pensndo no coitado que ia pegar a véia agora.
Quando ela desceu, sabe o que me disse? “Sabe, você deveria ler livros do Paulo Coelho (ecaaaaaaaaa) ao invés dessas bobagens de gente com problema. Deixa a gente mais feliz.”
Essa foi boa.


Escrito por Rúbia às 13h57
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Elke e Ned

Era uma vez 2 amigos: Elke, uma pulga que morava numa girafa, e a proprietária do “apê” da pulga, Ned, no caso, eu.

Pois bem, Elke saltitava todos os dias nas minhas costas, ia de lá para cá tentando atrair cada vez mais clientes; ela era considerada a melhor do ramo imobiliário.

E os negócios de Elke não se limitavam a apenas girafas, não, ela ia muito mais além, nossa amiga pulga era realmente muito audaz. Chegou a negociar com uma onça a morada de 4 jovens interessados numa república bem felpuda. Mais corajosa ainda: mandou uma família toda num Bichon Frisé no Jardim Europa. Sabem o que isso significa? Um Bichón Frisé com pulgas?

Enfim, Elke era considerada uma lenda urbana. A Valentina Karan do mundo animal.

Por isso era sempre convidada a festas animais, bebia muito sangue fresquinho e estava sempre rodeada de “amigos”.

Eu, bem, eu era, digamos, o oposto de Elke. Muito introvertido, vivia enfiando a cabeça nos buracos deixados por um avestruz. Certa vez brinquei de esconde-esconde com minha irmã mais nova e mais um colega, por insistência dela. Fiquei com tanta vergonha do amigo que me escondi por 7 dias e 7 noites.

Aí chegou o dia em que, quase como todo magnata, Elke cai. Ela fracassa numa de suas tentativas mais audaciosas: comprar a concorrente. Elke fica arrasada e vai se consolar com seus amigos. Bate à porta de um, e nada. Manda a empregada dizer que não está. Bate à porta de outro, e é recebida com duras palavras de desprezo. Elke já não pertencia mais à rodinha. Foi quando nossa amizade começou. Elke chorava noite e dia, sozinha, sem os holofotes que a cercaram por toda a vida. Eu puxei assunto, um tímido “how you doing?” e ela, desesperada em seus soluços, parou. E disse oiquebomquevocêstáfalandocomigoeblábláblá. Eu disse que ela precisava se acalmar. Ela disse que não gostava de calma. Que o negócio dela era agito. Mas eu sabia do que ela estava precisando.Ela finalmente concordou, afinal, sentia que tinha arrumado um amigo verdadeiro. Eu lhe falei de um lugar onde nos sentiríamos no deserto. Sua gratidão me confortou. Partimos em silêncio.

E foi assim que ela me tornou uma girafa mais sociável e confiante, enquanto que eu a tornei mais pacata e serena. Tivemos 6 lindos filhotes.

 

 

 



Escrito por Rúbia às 16h37
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A Marcha dos Pingüins rumo ao inferno

Está se sentindo um miserável, a ponto de se matar de tanta auto-piedade? Pois bem, assista o documentário A Marcha dos Pingüins. Garanto, é tiro certo para você se sentir o cara mais felizardo e beneficiado do planeta.
O único efeito colateral é se você tem filhos, se achará uma merda de pai.
Tudo começa com um simpático casal de Pingüins Imperadores falantes (que até então não se conhecem mais profundamente, se é que me entendem). Eles vão narrar a odisséia mais cansativa ever em prol de uma rapidinha.
E lá vão eles, lindos pingüins estufadinhos, começando a primeira marcha rumo à dança do acasalamento. Todos em fila, marchando, marchando, um dois, um dois. Deu uma cansadinha, vai de barriga no gelo.
São 20 dias meus amigos, 20 dias caminhando naqueles passinhos cambaleantes e fofos até chegar no que eu chamaria de Ponto de Encontro Nada Casual. E sem comida! Não agüento ficar 20 minutos sem comer, tenho que saudar esses bichinhos tão sedentos de amor.
Chegando em Oamock, pingüins imperadores de todos os cantos da Antártica se encontram para a paquera. É tanto pingüim junto que parece que estão esperando um show do FatBoy Slim.
E let the game begin! É um tal de sair correndo atrás de um namorado que só vendo! E se uma pinguim fêmea arranja logo um macho, as outras começam a esbofeteá-la para roubar-lhe o marido. Como nas baladas de São Paulo.
Então nossa pinguizinha se encontra com nosso amiguinho narrador. Que coisa mais linda... Uma das cenas mais românticas que já vi (pelo menos até a primeira vez da anoréxica da novela das 9), apesar da trilha ao fundo servir de inspiração. Muito bem escolhida, realmente.
Passado 1 minuto, 1 minuto e meio, no máximo, o fato já fora consumado. Tudo muito rápido, sem rodeios, muito objetivo, eu diria. Direto e reto. Nossa.
Alguns dias depois, mamãe tem o seu ovo. Agora vai começar a verdadeira tortura.
As futuras mamães não podem de maneira alguma deixar o ovo tocar o chão, caso isso aconteça, ele congela e adeus todo o trabalho. Então ela sustenta o ovo sobre suas patinhas encolhidas para que continuem quentinhos e protegidos. Aí, o que acontece? Mamãe sente fome, muita fome, e diz não agüentar mais. Com todo o cuidado ela transfere o ovo pros pezinhos do pai (o maior trabalhão, já que ambos são barrigudos e as patas são muito difíceis de se encontrar). Alguns falham nesse momento e então mamãe chora um choro triste de partir o coração. Quando conseguem, elas se mandam atrás dos suculentos peixinhos.
Enquanto isso, na ala masculina da história, os papais estão literalmente se ferrando para equilibrar os ovos e enfrentar as tempestades congelantes, todos muito juntinhos para abrandar o frio.
Então, depois de 4 meses, isso mesmo, 4 meses de espera pelas famintas (e bota famintas nisso) esposas, os bebês finalmente nascem!
Ah! Que momento doce, os lindos e peludinhos bebês saindo dos ovinhos! Papai precisa cuidar muito bem para que eles não morram de frio, porque de fome, aí já é outra história... Precisam esperar as mães voltarem da farra de 4 meses. A mãe que não voltar (como foi o caso de uma infeliz senhora que foi devorada por uma foca gorda) terá por tabela o filho morto (quem iria alimenta-lo?).
Passa o tempo e as mamães estão de volta. Pegam seus filhotes, se despedem dos maridos famintos e se mandam. Cada um para um lado.
Quem sabe até um dia... 

Sinceramente, maridos iguais a esses, nunca vamos achar.

 



Escrito por Rúbia às 08h56
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