Elke e Ned
Era uma vez 2 amigos: Elke, uma pulga que morava numa girafa, e a proprietária do “apê” da pulga, Ned, no caso, eu.
Pois bem, Elke saltitava todos os dias nas minhas costas, ia de lá para cá tentando atrair cada vez mais clientes; ela era considerada a melhor do ramo imobiliário.
E os negócios de Elke não se limitavam a apenas girafas, não, ela ia muito mais além, nossa amiga pulga era realmente muito audaz. Chegou a negociar com uma onça a morada de 4 jovens interessados numa república bem felpuda. Mais corajosa ainda: mandou uma família toda num Bichon Frisé no Jardim Europa. Sabem o que isso significa? Um Bichón Frisé com pulgas?
Enfim, Elke era considerada uma lenda urbana. A Valentina Karan do mundo animal.
Por isso era sempre convidada a festas animais, bebia muito sangue fresquinho e estava sempre rodeada de “amigos”.
Eu, bem, eu era, digamos, o oposto de Elke. Muito introvertido, vivia enfiando a cabeça nos buracos deixados por um avestruz. Certa vez brinquei de esconde-esconde com minha irmã mais nova e mais um colega, por insistência dela. Fiquei com tanta vergonha do amigo que me escondi por 7 dias e 7 noites.
Aí chegou o dia em que, quase como todo magnata, Elke cai. Ela fracassa numa de suas tentativas mais audaciosas: comprar a concorrente. Elke fica arrasada e vai se consolar com seus amigos. Bate à porta de um, e nada. Manda a empregada dizer que não está. Bate à porta de outro, e é recebida com duras palavras de desprezo. Elke já não pertencia mais à rodinha. Foi quando nossa amizade começou. Elke chorava noite e dia, sozinha, sem os holofotes que a cercaram por toda a vida. Eu puxei assunto, um tímido “how you doing?” e ela, desesperada em seus soluços, parou. E disse oiquebomquevocêstáfalandocomigoeblábláblá. Eu disse que ela precisava se acalmar. Ela disse que não gostava de calma. Que o negócio dela era agito. Mas eu sabia do que ela estava precisando.Ela finalmente concordou, afinal, sentia que tinha arrumado um amigo verdadeiro. Eu lhe falei de um lugar onde nos sentiríamos no deserto. Sua gratidão me confortou. Partimos em silêncio.
E foi assim que ela me tornou uma girafa mais sociável e confiante, enquanto que eu a tornei mais pacata e serena. Tivemos 6 lindos filhotes.
Escrito por Rúbia às 16h37
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